quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Amor e Saudade

Refletindo sobre o amor e a saudade me recordei de um texto escrito por Rubem Alves chamado A menina e o pássaro encantado.

É a história de uma garota que tinha um pássaro encantado como melhor amigo. O pássaro, por ser encantado, vivia livre. Ia e vinha quando queria e sempre que voltava, contava novas histórias e cantava novas canções para a menina.

"— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…"


A menina amava cada vez mais aquele pássaro e queria tê-lo sempre por perto e por isso teve uma idéia. Comprou a gaiola mais bonita que encontrou e quando o pássaro adormeceu ela o colocou na gaiola. O final dessa história quem não leu pode imaginar.
A garota teve o seu pássaro sempre por perto mas o amor acabou.

"Não, aquele não era o pássaro que ela amava."

Amor não existe sem saudade. É a saudade que mantém vivo o amor. É a chama que nos faz esperar ansiosamente pelo reencontro onde o abraço é mais forte e o sorriso mais intenso. É essa espera, essa angústia, essa fome da presença da outra pessoa que chamamos de amor. Amor é coisa efêmera. Sem a saudade, o amor não sobrevive e acaba.

Me lembrei agora de uma canção que eu ouvi pela primeira vez na voz de Daniela Mercury: Nobre Vagabundo.


"Quanto tempo tenho
Pra matar essa saudade
Meu bem o ciúme
É pura vaidade
Se tu foges o tempo
Logo traz ansiedade
Respirar o amor
Aspirando liberdade"




E também de um texto da Clarice Lispector, e com ele fecho meu post de hoje.

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Your big little joy

Texto escrito a mais de dois anos. Nunca foi tão atual...

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I know how it feels inside,
to want to hug someone at night.
You let go of the hand you're holding
'cause you need both hands to hug that tight,
and play with your toy,
your big LITTLE joy.

You left my hands,
and I felt no hugs.
Now I shake your hands
as a salutation,
a sign of education.
But my hands are not the same
hardened of disillusion,
they cause no harm
and seek no pain.

I know you understand.
My path has changed,
and you're now uninvited,
'cause I'm having my minute of happiness,
and NOTHING can destroy
something that has NEVER been.

By Rômulo Nascimento